{"id":92,"date":"2018-10-04T01:04:39","date_gmt":"2018-10-04T01:04:39","guid":{"rendered":"https:\/\/sinddanca.com.br\/site\/?p=92"},"modified":"2018-10-05T02:45:46","modified_gmt":"2018-10-05T02:45:46","slug":"maria-pia-na-camara-federal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinddanca.com.br\/site99\/maria-pia-na-camara-federal\/","title":{"rendered":"Maria Pia na Camara Federal"},"content":{"rendered":"<p>DEPOIMENTO DA SRA. MARIA PIA FINOCCHIO,\u00a0PRESIDENTE DO SINDDAN\u00c7A-SP, NA AUDI\u00caNCIA P\u00daBLICA\u00a0DA COMISS\u00c3O ESPECIAL DE EDUCA\u00c7\u00c3O, CULTURA E\u00a0DESPORTO, DA C\u00c2MARA FEDERAL, EM 25\/06\/2003<\/p>\n<p>Excelent\u00edssimo Sr.. deputado GAST\u00c3O VIEIRA,\u00a0presidente desta Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e Desporto,\u00a0Excelent\u00edssimo Sr. Deputado. GILMAR MACHADO,<\/p>\n<p>Relator do projeto de lei 7370, do nobre deputado Luis Antonio\u00a0Fleury Filho<\/p>\n<p>Senhores. Deputados, membros desta importante Comiss\u00e3o<br \/>\nSenhoras. e Senhores, integrantes desta mesa<br \/>\nSenhoras. e Senhores, presentes nesta audi\u00eancia p\u00fablica<\/p>\n<p>Aqui estou representando cerca de cem mil\u00a0bailarinas, bailarinos e core\u00f3grafos, profissionais da dan\u00e7a de todo o\u00a0Brasil. E por delega\u00e7\u00e3o patronal, representando mais de 6.000\u00a0academias de ballet de todo o pa\u00eds.\u00a0Fui convidada a comparecer e falar nesta\u00a0audi\u00eancia p\u00fablica, na condi\u00e7\u00e3o de presidente do Sindicato dos\u00a0Profissionais da Dan\u00e7a do estado de S. Paulo e representando as\u00a0seguintes entidades ligadas ao mundo da dan\u00e7a em nosso pa\u00eds:\u00a0ANEATE-Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Entidades de Artistas e\u00a0T\u00e9cnicos em Espet\u00e1culos de Divers\u00f5es, FENAC-Federa\u00e7\u00e3o\u00a0Nacional da Cultura, Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores em Empresas de\u00a0Difus\u00e3o Cultural e Art\u00edstica do Brasil, SATED-Sindicato dos\u00a0Artistas e T\u00e9cnicos em Espet\u00e1culos de Divers\u00f5es do estado de Minas\u00a0Gerais e SINDILIVRE-Sindicato das Entidades Culturais do estado\u00a0de S. Paulo.<br \/>\nSenhores deputados<br \/>\nSenhoras e Senhores integrantes da mesa.<\/p>\n<p>Esta audi\u00eancia p\u00fablica foi convocada para se\u00a0esclarecer, penso que de modo definitivo, a absurda pretens\u00e3o do\u00a0Conselho Profissional de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, em obrigar bailarinas e\u00a0bailarinos a se inscrever em seus quadros. Exigem isso para que\u00a0nossos profissionais possam continuar exercendo sua profiss\u00e3o,\u00a0sobretudo como professores de dan\u00e7a, nas academias de ballet, que\u00a0s\u00e3o cursos livres, portanto fora do alcance de conselho profissional.\u00a0Com todo respeito, minhas senhores e meus<br \/>\nsenhores, estamos diante de um desprop\u00f3sito. Trata-se de uma\u00a0pretens\u00e3o sem amparo legal, uma agress\u00e3o gratuita contra\u00a0trabalhadores e trabalhadoras da dan\u00e7a. Nossa categoria \u00e9 pac\u00edfica,\u00a0discreta, quase sempre pouco remunerada, an\u00f4nima no seu trabalho\u00a0di\u00e1rio. O bailarino tem de ensaiar diariamente, oito horas, para se<br \/>\napresentar no palco de um teatro. A bailarina-professora \u00e9 uma\u00a0idealista. Pisa diariamente, com suas sapatilhas, muitas vezes j\u00e1\u00a0surradas, o ch\u00e3o sedoso das academias, para que seu trabalho ajude\u00a0no desabrochar de talentos, na proje\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es do ballet\u00a0brasileiro.<br \/>\nPor que o Conselho de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica passou\u00a0a agir assim? Objetivamente, n\u00e3o sabemos. Talvez seja estrat\u00e9gia\u00a0para expandir sua \u00e1rea de representa\u00e7\u00e3o, visando ampliar seu quadro\u00a0de profissionais contribuintes. Mas, em se tratando de Conselho\u00a0Profissional, isso n\u00e3o faz sentido. N\u00e3o h\u00e1 que se falar no\u00a0enquadramento. Um conselho profissional emana de lei federal que\u00a0fixa, com muita clareza, sua compet\u00eancia operacional. E delimita\u00a0seu universo de profissionais, pelos quais responde, legalmente,\u00a0perante a sociedade. O Confefi zela pela Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica no Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o pela Dan\u00e7a! Estaremos diante do supra-sumo dos absurdos,\u00a0considerar a dan\u00e7a como atividade de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Ambas\u00a0atividades s\u00e3o t\u00e3o distintas que, temos certeza,.n\u00e3o \u00e9 preciso uma\u00a0profunda an\u00e1lise, para mostrar diferen\u00e7as enormes entre elas. Uma \u00e9\u00a0voltada ao preparo f\u00edsico do corpo. A outra ao uso do corpo para a<br \/>\natividade art\u00edstica.<\/p>\n<p>Sen\u00e3o, vejamos:<\/p>\n<p>Sabemos que a dan\u00e7a \u00e9 inerente ao ser humano.\u00a0Surgiu nos prim\u00f3rdios tempos, quando o homem dan\u00e7ava para o Sol,\u00a0para a Lua, antes de uma batalha entre as tribos, e nos festejos das\u00a0colheitas. Enfim, foi uma das primeiras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e\u00a0culturais do ser humano. Mas tamb\u00e9m sabemos que a atividade<br \/>\nf\u00edsica, de lazer e disputa, deu-se com a cria\u00e7\u00e3o dos jogos ol\u00edmpicos,\u00a0milhares de anos ap\u00f3s, na Gr\u00e9cia antiga. Jamais negamos que a\u00a0dan\u00e7a n\u00e3o fora uma atividade f\u00edsica. Ela tamb\u00e9m requer um preparo\u00a0f\u00edsico espec\u00edfico. Isto para que os movimentos, relativamente\u00a0dif\u00edceis, tornem-se suaves, l\u00fadicos aos olhos, utilizando-se do<br \/>\ntempo, do espa\u00e7o, do ritmo e da velocidade , sempre aliados a um\u00a0contexto filos\u00f3fico, buscando a melhor linha est\u00e9tica para exprimir\u00a0sentimentos. Na dan\u00e7a o corpo fala, conta est\u00f3rias, forma opini\u00f5es,\u00a0enfim, instrui, passa uma mensagem que toca a sensibilidade de\u00a0quem est\u00e1 assistindo.<br \/>\nOs cursos livres de ballet, no Brasil, j\u00e1 est\u00e3o\u00a0alcan\u00e7ando cerca de 80 anos de exist\u00eancia em nosso pa\u00eds.\u00a0Come\u00e7aram no eixo S. Paulo-Rio de Janeiro, nas primeiras d\u00e9cadas\u00a0do s\u00e9culo passado, sobretudo com a figura pioneira de Maria\u00a0Oleneva. Na d\u00e9cada de 1930 Maria Oleneva criou o Corpo de Baile\u00a0do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Logo em seguida foi criada\u00a0a Escola Municipal de Bailados, da cidade de S. Paulo.\u00a0Desses prim\u00f3rdios, logo a dan\u00e7a, tanto a\u00a0cl\u00e1ssica, como a moderna, folcl\u00f3rica, ou popular, tomou grande\u00a0impulso em nosso pa\u00eds, inclusive com o grande espet\u00e1culo dos\u00a0desfiles de carnaval, nas avenidas. Mas a dan\u00e7a cl\u00e1ssica, em nosso<br \/>\npa\u00eds, nasceu nas academias. E elas come\u00e7aram pequenas, em casas\u00a0de fam\u00edlia, onde, geralmente, se ensinava canto e piano, ou outro\u00a0instrumento musical. Era, essencialmente, uma pr\u00e1tica cultural\u00a0familiar, comunit\u00e1ria, de bom gosto, \u00e0s vezes aconselhada para\u00a0melhor desenvolver a crian\u00e7a e a adolescente. Logo o grande<br \/>\ninteresse despertado levou \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o. E come\u00e7aram a se\u00a0multiplicar, por todo o pa\u00eds, as academias de ballet. Essa arte\u00a0expandiu-se com muito vigor em todo o Brasil. Acabou projetando\u00a0nosso pa\u00eds no exterior, com bailarinos dos mais talentosos. V\u00e1rios\u00a0deles, que pela primeira vez vestiram a sapatilha numa pequena<br \/>\nacademia de nosso interior, hoje atuam nas principais companhias de\u00a0an\u00e7a do mundo. S\u00e3o destaque nos corpos de baile das principais\u00a0capitais europ\u00e9ias. Aqu\u00ed em nosso pa\u00eds, grandes nomes do ballet,\u00a0como Ana Botafogo, levam essa arte aos adolescentes dos morros\u00a0cariocas, \u00e0s comunidades carentes das grandes cidades, resgatando a\u00a0inf\u00e2ncia e juventude, menos assistidas, para o despertar dentro de\u00a0um mundo melhor, muito mais belo e humano.\u00a0Pois bem: Ao longo de todos estes anos, de\u00a0consagra\u00e7\u00e3o do ballet no mundo e no Brasil, nunca se falou que ele\u00a0era um seguimento da educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Nem em sonho, ou num\u00a0pesadelo, algu\u00e9m cogitou de afirmar que o ensino do ballet faz parte\u00a0da educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Nem aqui, nem em parte alguma do mundo. Em\u00a0nosso pa\u00eds o ensino do ballet sempre foi curso livre. \u00c9 assim que\u00a0sempre foi reconhecido pelo Governo, por meio do Minist\u00e9rio da\u00a0Educa\u00e7\u00e3o. No curso livre o professor n\u00e3o precisa ser diplomado em\u00a0curso superior. N\u00e3o necessita licenciatura. Tem de ter aptid\u00e3o\u00a0comprovada para ensinar. \u00c9 assim com o bailarino que ensina na\u00a0academia. A sele\u00e7\u00e3o \u00e9 natural. Se a academia n\u00e3o tiver bons\u00a0professores, certamente n\u00e3o ter\u00e1 alunos. E acabar\u00e1 fechando as\u00a0portas. Quem julga o trabalho do professor e da academia, \u00e9 a\u00a0sociedade. Ao longo dos anos \u00e9 assim que tem sido feito com muito\u00a0\u00eaxito, em nosso pa\u00eds. Foram as academias, os cursos livres, que\u00a0formaram as primeiras gera\u00e7\u00f5es de bailarinos e bailarinas no Brasil.<br \/>\nE continuam nessa tarefa com muita compet\u00eancia. \u00c9 claro que hoje\u00a0j\u00e1 temos cursos regulares de dan\u00e7a, inclusive de n\u00edvel superior,\u00a0diplomando profissionais de boa qualidade. Mas mesmo nesses\u00a0cursos regulares os professores s\u00e3o selecionados entre os melhores\u00a0que atuam na arte da dan\u00e7a, no Brasil. No curr\u00edculo oficial dos<br \/>\ncursos superiores de dan\u00e7a, institu\u00eddos por lei, reconhecidos e\u00a0fiscalizados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, na consta o ensino de\u00a0educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica! Os profissionais diplomados associam o perfeito\u00a0conhecimento da t\u00e9cnica, com o enriquecimento da forma\u00e7\u00e3o\u00a0acad\u00eamica.<br \/>\nQuanto \u00e0 bailarina-professora, que leciona em\u00a0cursos livres, ela tamb\u00e9m \u00e9 uma profissional regulamentada,\u00a0submetida a avalia\u00e7\u00e3o por banca examinadora dos Sindicatos de\u00a0Profissionais da Dan\u00e7a, para que possam obter o registro\u00a0profissional no Minist\u00e9rio do Trabalho, popularmente conhecido\u00a0como \u201cDRT\u201d. Sem esse registro ningu\u00e9m pode exercer a profiss\u00e3o\u00a0no mundo da dan\u00e7a. O decreto 82.385, do ano de 1978, que\u00a0regulamentou a lei 6.533, desse mesmo ano \u2013 lei que regulamenta a\u00a0profiss\u00e3o de artistas e t\u00e9cnicos em espet\u00e1culos de divers\u00f5es, no\u00a0Brasil \u2013 define da seguinte forma a figura do bailarino-dan\u00e7arino:\u00a0\u201c&#8230;\u00e9 o profissional que executa dan\u00e7as atrav\u00e9s de movimentos\u00a0coreogr\u00e1ficos preestabelecidos, ou n\u00e3o; ensaia seguindo a orienta\u00e7\u00e3o\u00a0do core\u00f3grafo, atuando individualmente, ou em conjunto,\u00a0interpretando pap\u00e9is principais, ou secund\u00e1rios; pode optar pela\u00a0dan\u00e7a cl\u00e1ssica, moderna, contempor\u00e2nea, folcl\u00f3rica, popular, ou\u00a0shows; PODE<\/p>\n<p>MINISTRAR AULA DE DAN\u00c7A EM\u00a0ACADEMIAS, OU ESCOLAS DE DAN\u00c7A, RECONHECIDAS\u00a0PELO CONSELHO FEDERAL DE EDUCA\u00c7\u00c3O, OBEDECIDAS<br \/>\nAS CONDI\u00c7\u00d5ES PARA REGISTRO COMO PROFESSOR\u201d.<\/p>\n<p>Vejam que a pr\u00f3pria lei regulamentadora j\u00e1 se antecipa \u00e0 quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela admite a bailarina-professora nos cursos livres, excluindo sua\u00a0presen\u00e7a nos cursos regulares, onde, evidentemente, \u00e9 necess\u00e1ria a\u00a0licenciatura, o diploma de conclus\u00e3o de curso superior de dan\u00e7a em\u00a0faculdade oficial.<br \/>\nArgumentam, dirigentes do Confefi, que\u00a0bailarinos-professores, por n\u00e3o terem o curso de licenciatura em\u00a0educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, nada entendem do corpo humano e podem causar\u00a0preju\u00edzos ao f\u00edsico dos alunos. Isso \u00e9 uma enorme fal\u00e1cia!\u00a0Argumento sem base t\u00e9cnica.(X) Apenas sofisma.(X) Na minha\u00a0vida, toda ela dedicada exclusivamente ao ballet, em meu pa\u00eds,\u00a0nunca soube de um \u00fanico caso de acidente grave, em academia,\u00a0vitimando aluno. \u00c9 claro que um caso, ou outro, alguma vez, possa\u00a0ter ocorrido, mas o n\u00famero \u00e9 t\u00e3o insignificante que sequer consta de\u00a0registros oficiais.<br \/>\nAdemais, a atividade profissional da dan\u00e7a,\u00a0no Brasil, tamb\u00e9m \u00e9 regulamentada em lei. Reiteramos a cita\u00e7\u00e3o da\u00a0lei 6.533, do ano de 1978. Portanto, \u00e9 uma profiss\u00e3o regulamentada\u00a0h\u00e1 25 anos, o que, por si s\u00f3, impede que outra profiss\u00e3o, no caso a\u00a0educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, queira se investir sobre ela.\u00a0Destaque-se que a dan\u00e7a tem sua pr\u00f3pria\u00a0nomenclatura, sua codifica\u00e7\u00e3o internacional, baseada no idioma\u00a0franc\u00eas. Isso \u00e9 adotado, obrigatoriamente, pelos profissionais da\u00a0dan\u00e7a no mundo inteiro. Mesmo os russos, grandes mestres do ballet\u00a0cl\u00e1ssico, submetem-se a essa nomenclatura. O aprendizado que o\u00a0bailarino tem, sua forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, se ap\u00f3ia numa escola com 300\u00a0anos de tradi\u00e7\u00e3o! Temos absoluta certeza que a Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica\u00a0ignora isso tudo.\u00a0Toda essa celeuma, de agora, come\u00e7ou h\u00e1\u00a0cerca de cinco anos, com a cria\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de\u00a0Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Numa atitude unilateral, provocativa e violenta,\u00a0conselhos regionais de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, como em S. Paulo, Rio de<br \/>\nJaneiro, Minas Gerais e outros estados, passaram a atacar,\u00a0grosseiramente, as academias de dan\u00e7a. Com requisi\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia,\u00a0passaram a assediar as academias, chegando ao absurdo de praticar\u00a0invas\u00e3o policial em algumas delas. Tudo para impedir que o\u00a0bailarino, ou bailarina, continuassem ensinando nas academias, pois<br \/>\nn\u00e3o tem o registro do Confefi. Levaram p\u00e2nico, medo, terror aos\u00a0cursos livres. E continuam a agir desse modo truculento. S\u00e3o\u00a0constantes as den\u00fancias de academias que chegam ao nosso\u00a0sindicato, relatando a viol\u00eancia de que s\u00e3o v\u00edtimas. Em Ribeir\u00e3o\u00a0Preto, no ano passado, uma senhora de 60 anos, diretora de uma das\u00a0academias de ballet mais tradicionais da cidade, funcionando h\u00e1 30\u00a0anos, foi retirada de sua escola \u00e0 for\u00e7a, por policiais e dirigentes do\u00a0Confefi, levada \u00e0 delegacia de pol\u00edcia, autuada em flagrante e\u00a0indiciada em inqu\u00e9rito. Ao que consta, foi acusada de pr\u00e1tica ilegal\u00a0da profiss\u00e3o!! Seus bailarinos-professores n\u00e3o tinham registro no\u00a0Confefi!<\/p>\n<p>Ainda no ano passado nosso sindicato obteve\u00a0do Minist\u00e9rio P\u00fablico do estado de S. Paulo uma manifesta\u00e7\u00e3o\u00a0t\u00e9cnica desqualificando a pretens\u00e3o do Confefi. O Minist\u00e9rio\u00a0P\u00fablico considerou absolutamente legal a presen\u00e7a de bailarinasprofessoras\u00a0nas academias. S\u00f3 ap\u00f3s isso foi poss\u00edvel um pouco de\u00a0paz no mundo da dan\u00e7a. Mas, mesmo assim, o Confefi continua a\u00a0assediar as academias, como em S. Paulo, Rio de Janeiro, Bras\u00edlia e\u00a0Minas Gerais. `\u00c9 poss\u00edvel que estejam fazendo isso em outros\u00a0estados. Criam situa\u00e7\u00f5es constrangedoras, grotescas, revoltando a\u00a0pr\u00f3pria comunidade, pois familiares de alunos, em solidariedade \u00e0s\u00a0bailarinas, j\u00e1 falam em oferecer resist\u00eancia f\u00edsica aos agentes do\u00a0Confefi. \u00c9 preciso parar com isso. \u00c9 preciso um basta. Agora est\u00e3o\u00a0chegando ao nosso sindicato den\u00fancias de ass\u00e9dio contra escolas\u00a0que ensinam a dan\u00e7a do ventre, e casas de show que oferecem esse\u00a0espet\u00e1culo. \u00c9 dif\u00edcil imaginar fiscais do Confefi parando a\u00a0apresenta\u00e7\u00e3o da bailarina, durante a dan\u00e7a do ventre, para responder\u00a0se tem filia\u00e7\u00e3o a esse Conselho. Passistas, mestres-sala, enfim, todos\u00a0que dan\u00e7am na escola de samba, tamb\u00e9m s\u00e3o enquadrados como\u00a0profissionais da dan\u00e7a. Imaginemos, tamb\u00e9m, os agentes do Confefi,\u00a0com a pol\u00edcia atr\u00e1s, invadindo a avenida Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, no<br \/>\nRio de Janeiro, em pleno carnaval carioca, para exigir que os\u00a0passistas mostrem a carteirinha do Confefi! E, como n\u00e3o tem,\u00a0certamente o desfile seria suspenso e o pessoal levado \u00e0 delegacia de\u00a0pol\u00edcia. Em S. Paulo at\u00e9 as academias, que somente ensinam dan\u00e7a\u00a0de sal\u00e3o, tem procurado o Sindidan\u00e7a para denunciar o ass\u00e9dio dos<br \/>\nagentes do Confefi. Logo v\u00e3o querer que o Carlinhos&#8230;.fa\u00e7a curso de\u00a0Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica! (X) \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 passou de todos os\u00a0limites!<br \/>\nVivemos um momento dif\u00edcil, pois nossa\u00a0categoria, tem dificuldade de se mobilizar para esse tipo de\u00a0enfrentamento, pois nunca conviveu com uma situa\u00e7\u00e3o dessa<br \/>\nnatureza.\u00a0O que continuamos a ver \u00e9 um ataque\u00a0maldoso, insolente, contra as academias e os profissionais da dan\u00e7a.\u00a0\u00c9 nas academias que muitas de nossas companheiras bailarinas\u00a0ganham seu p\u00e3o de cada dia. E prestam inestim\u00e1vel colabora\u00e7\u00e3o no\u00a0desenvolvimento dessa arte em nosso pa\u00eds. Instigar o \u00f3dio, perseguir<br \/>\nos indefesos, n\u00e3o honram ningu\u00e9m. Essa pr\u00e1tica truculenta s\u00f3 dep\u00f5e\u00a0contra o Confefi.<br \/>\nBailarinas e bailarinos apelam aos senhores\u00a0deputados, para que compreendam a realidade em que vivem. E\u00a0fa\u00e7am justi\u00e7a! Ali\u00e1s, \u00e9 isso que objetiva o projeto de lei 7370,\u00a0apresentado pelo nobre deputado Luis Antonio Fleury Filho,\u00a0conhecedor da quest\u00e3o porque acompanha de perto a luta de nossa\u00a0categoria.<br \/>\nBailarinas e bailarinos do Brasil querem,\u00a0apenas, continuar trabalhando em paz. As academias, e os grupos de\u00a0dan\u00e7a, querem continuar prestando seu servi\u00e7o \u00e0 comunidade,\u00a0trabalhando de modo livre, e sem press\u00f5es. Sem o medo de serem\u00a0invadidas, a qualquer momento, pelas tropas de choque do Confefi,\u00a0com refor\u00e7o policial.\u00a0A paz social \u00e9 fundamental na vida das\u00a0pessoas. Cada qual s\u00f3 faz bem aquilo que sabe e pelo que tem amor.\u00a0Assim como a bailarina n\u00e3o se apresentar\u00e1,<br \/>\npara competir numa disputa esportiva, como o arrem\u00easo de martelo,\u00a0na olimp\u00edada, da mesma forma n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel o professor de\u00a0educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, apenas por essa condi\u00e7\u00e3o, se apresentar no palco do\u00a0Teatro Municipal, de uma de nossas capitais, para dan\u00e7ar o Lago dos\u00a0Cisnes&#8230; N\u00e3o vai aqui qualquer sentimento depreciativo a esses\u00a0profissionais, mas a compara\u00e7\u00e3o se faz necess\u00e1ria para bem situar\u00a0as posi\u00e7\u00f5es, na busca da verdade. Temos todo o apre\u00e7o e respeito\u00a0pelos profissionais da educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, que, inegavelmente, tamb\u00e9m\u00a0est\u00e3o alcan\u00e7ando acentuado \u00eaxito na expans\u00e3o dessa atividade em\u00a0nosso pa\u00eds, com repercuss\u00e3o excelente na melhoria da qualidade de\u00a0vida de nosso povo.\u00a0Conclu\u00edmos, com base em tudo que\u00a0acabamos de expor, que a aprova\u00e7\u00e3o do projeto de lei 7370, do\u00a0deputado Fleury Filho, \u00e9 uma garantia real da preserva\u00e7\u00e3o da arte,\u00a0da educa\u00e7\u00e3o e da cultura do povo brasileiro. Ser\u00e1 uma defer\u00eancia,\u00a0um extraordin\u00e1rio respeito para com os direitos, \u00e0 \u00e9tica e \u00e0 dignidade\u00a0dos profissionais bailarinos e arte-educadores de nosso pa\u00eds. Neste\u00a0envolvente processo de globaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso preservar a arte,\u00a0costumes, o modo t\u00edpico de ser de nossa gente, para que n\u00e3o\u00a0vejamos, em futuro breve, ser destru\u00edda totalmente nossa identidade\u00a0nacional. E a dan\u00e7a \u00e9 um dos pilares a sustentar a tradi\u00e7\u00e3o cultural\u00a0brasileira.<\/p>\n<p>Senhores deputados:\u00a0Mais como brasileira, que como dirigente\u00a0classista, devo externar minha emo\u00e7\u00e3o e gratid\u00e3o, aos senhores, por\u00a0terem nos oferecido esta grande oportunidade de expor nossas\u00a0raz\u00f5es. A audi\u00eancia p\u00fablica, hoje, \u00e9 uma das grandes express\u00f5es da\u00a0democracia brasileira. Uma iniciativa que dignifica, com muita<br \/>\nnobreza, o Parlamento de nosso pa\u00eds. Por isso os profissionais da\u00a0dan\u00e7a e dirigentes de academias, de todo o Brasil, agradecem,\u00a0sensibilizados, o convite feito. A todos os senhores, o muito\u00a0obrigado dos profissionais da dan\u00e7a de todo o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DEPOIMENTO DA SRA. MARIA PIA FINOCCHIO,\u00a0PRESIDENTE DO SINDDAN\u00c7A-SP, NA AUDI\u00caNCIA P\u00daBLICA\u00a0DA COMISS\u00c3O ESPECIAL DE EDUCA\u00c7\u00c3O, CULTURA E\u00a0DESPORTO, DA C\u00c2MARA FEDERAL, EM 25\/06\/2003 Excelent\u00edssimo Sr.. deputado GAST\u00c3O VIEIRA,\u00a0presidente desta Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e Desporto,\u00a0Excelent\u00edssimo Sr. Deputado. GILMAR MACHADO, Relator do projeto de lei 7370, do nobre deputado Luis Antonio\u00a0Fleury Filho Senhores. 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